sábado, 20 de junho de 2009

Club du Film - Ano IV - Semana 17: The Big Heat (Os Corruptos)


Há pouco mais de três anos, no dia 28 de dezembro de 2005, eu e alguns amigos decidimos assistir, semanalmente, grandes clássicos do cinema mundial. Esse encontro ficou jocosamente conhecido como Club du Film. Como guia, buscamos o livro The Great Movies do famoso crítico de cinema norte-americano Roger Ebert, editado em 2003. Começamos com Raging Bull e acabamos de assistir a todos os filmes listados no livro (uns 117 no total) no dia 18.12.2008. Em 29.12.2008, iniciamos a lista contida no livro The Great Movies II do mesmo autor, editado em 2006. São, novamente, mais 100 filmes. Dessa vez, porém, tentarei fazer um post para cada filme que assistirmos, com meus comentários e notas de cada membro do grupo (com pseudônimos, claro).

Filme: The Big Heat (Os Corruptos)

Diretor: Fritz Lang

Ano de lançamento: 1953

Data em que assistimos: 09.06.2009

Crítica: Fritz Lang é o sensacional diretor de Metropolis, um dos filmes mais importantes da história do cinema, e de M, O Vampiro de Düsseldorf, um sensacional thriller com talvez o que seja o primeiro serial killer do cinema.

Assim como vários outros diretores alemães, com a eclosão do nazismo na Alemanha, Fritz Lang foi para os Estados Unidos. Lá, mesmo dentro do sistema de estúdios norte-americano, Lang conseguiu produzir algumas obras de relevo. The Big Heat (Os Corruptos) é uma delas.

A premissa é extremamente simples: um policial correto, ao investigar um aparente suicídio, começa a se intrometer na vida do chefão do crime local, sofrendo consequências diretas em sua família. Trata-se de um noir da melhor estirpe se visto por esse ângulo. E é sob esse ângulo que dei minha nota abaixo.

Talvez, se tivesse feito uma análise mais detida, como faço agora, teria dado uma nota mais alta. No entanto, como no Club du Film não podemos mudar a nota posteriormente, fica a que dei mesmo.

De toda forma, The Big Heat é um filme sensacional mais pelo que esconde do que pelo que mostra. Aí é que está a maestria de Fritz Lang: sob o manto de uma estória simples, o diretor esconde uma camada mais sombria e inquietante.

Explico.

Dave Bannion (Glenn Ford) é um policial completamente by the book, que acha que ou tudo é preto ou tudo é branco. Não há tons de cinza. Ele começa a descobrir uma trama envolvendo a máfia local que, por definição, tem toda a polícia no bolso. Os mafiosos são maus; os policiais são corruptos. Tudo bem definido. Seria um clássico filme da luta do bem contra o mal se Lang não tivesse inserido alguns fatores que alteram a trama e criam uma estória paralela. São, na verdade, quatro fatores, todos eles mulheres.

O primeiro é a mulher do policial que se suicida. O segundo é a mulher de Dave Bannion. O terceiro é a mulher do capanga (Lee Marvin novinho) do mafioso. O quarto é a senhora que trabalha em um ferro velho.

E o que tem de novidade nesses "fatores". Bem, posso dizer que, subliminarmente, Dave Bannion pode ser comparado a um crápula. O cara, com ar de "surpresa" e mostrando profunda inocência, se utiliza de todas essas mulheres, colocando-as em perigo mortal.

Ele começa investigando um suicídio, esbarra na máfia, provoca o mafioso chefe indo até a casa dele e espancando um guarda costas. Depois disso, volta para a casa para a esposa querida, como se nada tivesse acontecido. Bum! A esposa explode ao ligar o carro.

Depois, ao descobrir uma pista chave com a bondosa velhinha do ferro velho, ele a usa de forma mais desavergonhada para identificar o criminoso. Para a senhora morrer, falta pouco. Mais tarde, se utiliza tanto da mulher do suicida quanto da mulher do capanga do mafioso para cometer os atos mais sujos, sem nem mencionar o fato. Tudo corre por debaixo dos panos, como uma trama subliminar muito interessante. O que ele faz com a mulher do capanga só se utilizando de palavras e parecendo um cachorro sem dono é maquiavelicamente brilhante.

No final das contas, o certinho Dave Bannion se mostra mais mal do que o sinistro Harry Powell (Robert Mitchum) em The Night of the Hunter.

Notas:

Minha: 7 (mas eu daria mais agora, talvez uns 8,5)
Klaatu: 7
Barada: 7

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