sábado, 1 de janeiro de 2011

Crítica de filme: Tangled (Enrolados)

Feliz Ano Novo, pessoal!

Esse é o primeiro post de 2011 e, provavelmente, o último pelas próximas duas semanas já que viajo para os EUA hoje à noite. No entanto, como estou muito atrasado com minhas críticas, vou ao menos falar de Enrolados, que vi hoje em pré-estréia, já que ele está marcado para estréia na próxima sexta-feira, dia 07 de janeiro.


O desenho é mais um exemplo da vagarosa volta à forma dos estúdios Disney em relação aos seus desenhos em 2D, ou seja, desenhados à mão (ok, com uma boa ajudinha do computador, claro). O primeiro exemplo desse "retorno" foi A Princesa e o Sapo, que gostei. De certa maneira, Enrolados é mais do mesmo mas, no caso da Disney, isso é bom.

A estória é uma versão bem alterada do clássico Rapunzel. Uma princesa (Rapunzel, voz de Mandy Moore no original) é seqüestrada por Mãe Gothel (Donna Murphy mas bem que poderia ser Cher pois o personagem é a cara dela...) logo depois do nascimento para que ela possa se aproveitar das propriedades rejuvenescedoras dos cabelos da menina. Passados 18 anos, a garota está indócil para sair da torre em que mora e de onde não pode sair, achando que Mãe Gothel é mesmo sua mãe.

Coincidentemente (claro), um ladrão chamado Flynn Ryder (Zachary Levi no original e Luciano Huck na versão dublada - ficou até bom, para minha surpresa) acaba dando de cara com a torre ao fugir de seu último furto e encontra Rapunzel. Uma coisa leva a outra e os dois acabam saindo de lá.

A qualidade do desenho é de cair o queixo. Deixa muito desenho em computação gráfica no chinelo (Megamente, estou falando com você!) e consegue ser ainda mais impressionante que A Princesa e o Sapo. A estória é interessante mas a vilã de Enrolados (a Mãe Gothel) não é tão interessante quanto o vilão de A Princesa e o Sapo.

Acho que a grande sacada de Enrolados foi o uso de coadjuvantes bem originais: Pascal e Maximus. Pascal é um pequeno camaleão que vive com Rapunzel na torre e serve como uma espécie de Grilo Falante da menina, mas sem a parte do "falante", já que ele não verbaliza nada. Seus vários "diálogos" são passados com suas mudanças de cores constantes e com seus gestos, digamos, bem gráficos, para Rapunzel. O momento em que ele acorda Flynn com sua pegajosa língua é hilário, assim como várias outra pequenas cenas.

Mas quem acaba roubando a cena mesmo é o valente cavalo Maximus. Ele é o cavalo da guarda do castelo que caça Flynn como um cão perdigueiro. É imponente e correto, quase que unidimensional, até Rapunzel ter a primeira "conversa" com ele. Também não-verbal, a presença de Maximus é sentida todo o tempo por seu porte e ótimas situações que passa junto com Flynn. O pequeno Pascal e o grande Maximus são as estrelas do filme.

Vejo em Enrolados uma forte influência de John Lasseter, que produziu o filme. Ainda que ele não seja efetivamente o diretor, Lasseter, egresso da Pixar e responsável, agora, por toda e qualquer animação da Disney, vem imprimindo seu toque mágico desde Bolt. Aqui vemos detalhes "pixarianos" como a belíssima cena dos balões, a cena da taverna e a própria estrutura da estória que muito facilmente poderia descambar para algo derivativo e sem graça. Lasseter está fazendo um grande trabalho em resgatar o charme Disney para suas animações 2D e espero que ele continue assim pois seria uma grande perda se a Disney desistisse de suas animações clássicas, como já ameaçou fazer umas duas vezes.

Enrolados agrada muito, com visuais impressionantes, coadjuvantes brilhantes e personagens principais bem construídos (até mesmo o canastrão Flynn funciona). Perde um pouco nos quesitos "vilão" e "música" mas, mesmo assim, o filme é um deleite.

E sobre o 3D? Bom, o uso do 3D nesse filme não é tão sutil quanto o uso em filmes da Pixar ou mesmo em Como Treinar Seu Dragão pois há muito uso do 3D fácil, que é a técnica de jogar coisas na cara do espectador. No entanto, a cena dos balões, em 3D, é belíssima e merece ser vista assim. O espectador fica, realmente, cercado deles.

Mais sobre o filme: IMDB, Rotten Tomatoes, Box Office Mojo e Filmow.

Nota: 8 de 10

Um comentário:

Pensem antes de escrever para escreverem algo com um mínimo de inteligência. Quando vocês escrevem idiotices, eu apenas me divirto e lembro de Mark Twain, que sabiamente disse "Devemos ser gratos aos idiotas. Sem eles, o resto de nós não seria bem sucedido."